Pioneiros e Os Limites da Liberdade
por Arnaldo Lorençato
Guia da Cultura Japonesa em São Paulo
Dezembro de 2003
Japan Foundation
| "Não pretendo citar aqui todos os restaurantes da cidade, mas traçar um panorama com alguns daqueles que tiveram maior expressão no universo gastronômico." (...) "Outros dois sushimen de quilate são os irmãos Tatsumi Watanabe e Kiyomi Watanabe. Ambos desembarcaram no Brasil na década de 50 e foram direto para Tomé Açu, interior do Pará. Trabalhavam na cultura de pimenta-do-reino. Na chegada em São Paulo, primeiro abriram uma peixaria na Liberdade e, depois, o restaurante Suehiro." |
![]() Kiyomi Watanabe (dir.) e seu filho Carlos |
![]() Uma das salas privativas ![]() O balcão | "Com a nova leva de imigrantes, que chegou ao Brasil depois da Segunda Guerra, os irmãos Watanabe também tinham uma avidez maior em preparar sushis. No Suehiro, os pescados ficavam guardados em geladeiras e não expostos. Nessa época, nem se imaginava a existência de belos balcões refrigerados. Pequenos pedaços de peixe e alguns frutos do mar eram dispostos em vitrines de vidro com base de metal sobre gelo moído, exatamente como acontece nas peixarias. O cardápio incluía também uma seleção de pratos quentes." A sociedade dos irmãos durou até 1974, quando Kiyomi foi comandar o balcão de sushi do Hinodê, aberto em 1966, que naquela época pertencia à família Amano e, hoje, funciona na mesma Rua Tomás Gonzaga sob o comando da senhora Kyoe Sekiguchi. Kiyomi Watanabe abriu seu próprio restaurante, o Sushi Kiyo, na Rua Treze de Maio. Corria o ano de 1980. A clientela até hoje se lembra, saudosa, do pequeno salão. Atrás do balcão, Kiyomi Watanabe recebia todos em clima de festa. Não raro cantava para animar os freqüentadores, esbanjando simpatia. Em 1996, o Sushi Kiyo trocou de endereço. Foi para a rua Tutóia. Há cerca de um ano, seu filho, Carlos Watanabe, também dá expediente manuseando as facas de sushi. " (...) |
| "Entre as décadas de 50 e de 80, muitos restaurantes fecharam suas portas. Felizmente, alguns veteranos que passaram por essas casas continuam na ativa e mantêm viva a memória gastronômica japonesa em São Paulo. São esses mestres que tiveram e têm um papel essencial: foram educadores do paladar do paulistano. Apresentaram uma cozinha clássica formidável e, à sua maneira discreta, romperam as fronteiras da Liberdade, num processo gradual, persistente e eficaz. E dessa maneira conquistaram toda a capital." | ![]() O salão principal |
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